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| | Tasquinha d'Adelaide | | À Tasquinha d'Adelaide, um simpático restaurantezinho (os lugares não chegam a 30) do castiço bairro de Campo de Ourique, já não ia há uns 10 anos. Porquê? Talvez porque, depois de lá ter feito umas quantas refeições muito agradáveis, procurei outras paragens onde fosse mais fácil arranjar mesa. | | Naquele tempo, se bem me lembro, a casa só servia jantares e estava sempre a abarrotar e, às vezes, mesmo com marcação, tinha-se que esperar, porque os horários não eram respeitados - e onde houvesse mais espaço.
Agora que a Tasquinha d'Adelaide também serve almoços, arrisquei aparecer sem marcação e, por duas vezes, encontrei a casa quase vazia. À noite, segundo me disseram, continua a ser indispensável a marcação de mesa. Reencontrei a Tasquinha como a deixe. A cozinha, pequenina, à vista, Adelaide, que continua uma mulher jovem e com o ar bonacheirão de sempre, ao alto com o fogão, as garrafas de vinhos nas prateleiras altas e num frigorífico apropriado, um serviço de sala simpático e eficiente. As mesas mantêm-se atoalhadas de branco e a loiça, muito bonita, é da Fábrica de Sacavém, que há anos que fechou as suas portas. Só os copos, de formato semelhante aos chamados "de vinho do Porto", poderiam ser substituídos, com vantagem, por outros mais adequados ao serviço de vinhos constantes da lista, os quais, não sendo muitos, são bem escolhidos.
O cardápio, se a memória não me atraiçoa, também praticamente não mudou. São propostas de uma cozinha de família, com coisas tão simples e saborosas como uma sopa de legumes, na verdade um saborosíssimo quase creme de alho francês, com um toque de manteiga, onde o legume, cortadinho, há-de ter estufado brandamente, bem integrado num puré fino de batatas. As chamussas, de massa fina e estataladiça e recheio levemente acarilado, são igualmente uma boa escolha, bem como um belíssimo pastelão de ovos, rodelas de batata frita tostadinhas e de salpicão de Lamego, frigido em bom azeite, um cozinhado a lembrar A Cidade e as Serras de Eça de Queirós. Paladares mais modernos hão-de apreciar os crepes de queijo de cabra, que as gambas al ajillo, embora muitas vezes não muito bem cozinhadas, o que não é o caso, se tenham democratizado. Polvo à lagareiro, e uns belíssimos linguadinhos (que podem ser azevias) fritos com um arroz de grelos, ainda bem sem malandrice, são propostas a considerar. Das carnes, em que o cabrito e o borrego dominam, sobretudo, e muito bem, trabalhados no forno, por vezes também se encontra a chanfana, uns rojões à transmontana, bem temperados e macios de uma fritura lenta na sua própria gordura, servidos com grelos e umas batatinhas salteadas mais um bocado de morcela, esta um complemento que reputo dispensável. Ainda se fosse um naco de chouriça de porco bísaro... O arroz de pato e o pernil à patroa fazem também a fama de cozinheira de Adelaide, uma intuitiva, assim uma espécie de tia da aldeia, que tivesse vindo viver para Lisboa, para alimentar, com comidas sólidas e saborosas, uma catefra de sobrinhos anémicos e a precisar de ganhar cores.
Bem, mas para provar que a Adelaide nada falta enquanto cozinheira aí estão as suas sobremesas doces, com destaque para a clássica e francesa tarte Tatin, inventada por uma das irmãs cozinheiras do mesmo apelido, a qual, ao preparar uma tarte, colocou primeiro a fruta, no caso pêras, mas também fica bem com maçãs, pêssegos ou alperces, por exemplo, com açúcar e só depois a cobertura de massa, ou um bolo de chocolate sem farinha ou a refrescante tarte de framboesas.
Tudo visto, a Tasquinha d'Adelaide continua a ser um lugar aconchegado e aconchegante, onde se come bem. As ementas é que estão a ficar com um ar um tanto enxovalhado, que não tem nada a ver com o resto, que é limpo e risonho. Resolva lá isso, tia Adelaide. Preço médio da refeição: uns 25/30 euros.
David Lopes Ramos (PÚBLICO)
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| 213962239 | | Lisboa, R. Patrocínio, 70/74 | | Segunda a sábado das 12h30 às 15h00 e das 20h30 às 00h00 | | | | Autocarros: 9. Eléctrico: 28. | | Especialidades: polvo à lagareiro, paletilha de borrego, pernil à patroa, arroz de pato. AceitaMB e Visa. | | Portuguesa |  |  |
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