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Paulo Pimenta

| | Sem + Nem - | | Livraria, auditório, café, galeria, sala de estar - aberto há pouco mais de quatro meses, o Sem + Nem - já é um dos espaços mais incatalogáveis da cidade. O que se passa lá dentro é só uma pequena parte do projecto: a ideia é fazer o número 130 da Mártires da Liberdade funcionar como um ponto de partida para tudo e mais alguma coisa. | | É menos um espaço do que a vontade de fazer coisas com ele - de fazer coabitar, nos mesmos não muitos metros quadrados, a venda de livros novos (a arquitectura e o
design da Actar, a ciência da Gradiva, a filosofia da Assírio & Alvim) e a revenda de livros (e discos) usados, os sumos de gengibre e menta e o vinho tinto a copo, os últimos exemplares dos produtos Ecoteca e séries limitadas de objectos de design de autor, a ficção à quarta e o documentário ao sábado, os chás Ayurvedicos da YogiTea e os cafés em cápsula da Nespresso, os debates sobre temas inadiáveis como o diálogo inter-religioso e o lançamento de publicações que valem a pena como a Águas-Furtadas.
"O Sem + Nem - [lê-se sem mais nem menos] é sobretudo a intenção de fazer isto", diz Mário Teixeira. E de o fazer independentemente do espaço (desde que seja na Baixa), porque o Sem + Nem - tanto pode estar onde está (na Mártires da Liberdade), como pode mudar-se para a vizinhança (ou ficar onde está mas crescer, porque os metros quadrados disponíveis já são demasiado escassos para tantas ideias). Criado uns metros acima da entretanto extinta loja da Ecoteca - o anterior projecto do designer Mário Teixeira -, o Sem + Nem - funciona como local de consumo mas também como "espaço cívico, sem nenhum tipo de alinhamentos".
"É um espaço muito promíscuo, mas apesar de tudo conseguimos autonomizar a área de projecção de cinema, a livraria e o café", explica. No número 130 da Mártires da Liberdade pode fazer-se isso tudo e até mais do que isso: há uma enorme parede de lousa completamente disponível para recados, anúncios e micromostras de proto-artistas plásticos.
Mas o Sem + Nem - não é só o que acontece lá dentro: é também o que sai lá para fora. A ideia é fazer o espaço funcionar como ponto de partida para visitas guiadas à cidade (temas já alinhados: a arquitectura industrial, os arquitectos nos anos 50), para um safari fotográfico (e/ou, eventualmente, lomográfico) sobre "o Porto vazio" e para um clube de vídeo mais criterioso do que as pequenas e grandes superfícies actualmente presentes no mercado do aluguer. O princípio - quer o Sem + Nem - fique no sítio, quer mude de casa - será sempre o mesmo: não ter clientes, ter participantes.
Inês Nadais (PÚBLICO)
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| Porto, Rua dos Mártires da Liberdade, 130 | | Segunda a sábado das 14h00 às 02h00 Domingo das 14h00 às 20h00 |  |  |
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