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A Letra "L"
Tudo é glamoroso em The L Word, a série estreia na 2: a 19 de Junho, depois da meia-noite. As mulheres são lindas e sofisticadas. Vivem na zona mais trendy de Los Angeles, passam a vida em festas, cafés, restaurantes e inaugurações. Trabalham (pouco), namoram muito e passam a vida embrulhadas em cenas de sexo escaldante. São as melhores das amigas e são lésbicas.
Queria escrever uma série sobre as vidas das mulheres que eu conheço em Los Angeles", resumiu à Reuters a criadora de The L Word, Ilene Chaiken, quando a série estreou nos EUA, em finais de 2003. Mas alguém conhece mulheres assim? Não. Daí o sucesso.

A série, lançada pela cadeia Showtime depois da "revolução" que foi Queer as Folk (com muitos homens gay e muito sexo também), foi concebida (e bem sucedida) para construir uma legião de seguidores - hetero e homossexuais - das vidas de um complexo conjunto de personagens que vão ser apresentadas no episódio-piloto que vai para o ar na 2: (19 de Junho).

Bette (Jennifer Beals) e Tina (Laurel Holloman) são o exemplo do casal estável. Vivem juntas há sete anos, o sexo já não é o que era dantes e decidem ter um filho. O vizinho do lado é Tim (Eric Mabius), um simpático heterossexual que se dá muito bem com o mulherio da vizinhança, até ao dia em que descobre, aparvalhado, que a sua namorada Jenny (Mia Kirshner) se anda a consumir de paixão pela sedutora Marina (Karina Lombard).

Há também Kit (Pam Grier), a meia-irmã de Bette, que é uma cantora com um passado de alcoolismo; Shane (Katherine Moenning), uma super-sexy maria-rapaz que colecciona mulheres como quem colecciona cromos de futebol; Alice (Leisha Hailey, que se saiba, deste grupo é a única lésbica na vida real), uma jornalista bissexual que mantém um mapa exaustivo de quem-é-que-já-foi-para-a-cama-com-quem em West Hollywood; e Dana (Erin Daniels), uma tenista profissional que ainda não "saiu do armário" e que tem grandes dificuldades nas suas conquistas amorosas.

Na crítica que publicou quando a série estreou nos EUA, o San Francisco Chronicle escreveu: "No final do episódio-piloto, fica-se com vontade de seguir estas personagens pelas suas vidas fora - o que é o aspecto mais importante para construir uma série televisiva. A qualidade da escrita e da representação relegam as cenas de sexo, por muito escaldantes que essas possam ser, para um estatuto de papel secundário." Resumindo: "Pode-se ir lá pelo sexo, mas depois volta-se todas as semanas pela história." E por Shane...

O regresso de Jennifer Beals Para quem não sabe, Jennifer Beals já era um ícone gay há décadas. Desde que suou as estopinhas em Flashdance, o filme de Adrian Lyne, em 1983, que as lésbicas gostam dela - um texto na revista Advocate recorda a camisola descaída por um ombro abaixo, as eléctricas sessões de treino e o triunfo final da dança debaixo de água.

Depois de Flashdance, Beals voltou as costas a Hollywood para ir estudar literatura americana em Yale. De regresso, foi viver para os arredores de Los Angeles e participou em alguns filmes independentes. Agora, ao liderar a tribo de The L Word, é ainda mais uma super-estrela gay, apesar de a própria garantir que nunca se sentiu sexualmente atraída por nenhuma mulher.

Em declarações ao Guardian (num artigo de Setembro de 2004), Jennifer Beals, que já vai no segundo casamento hetero, diz que aceitou o papel em The L Word porque acreditou que "a série ia contribuir para mudar a forma como as pessoas olham umas para as outras". Sente-se lisonjeada quando lhe perguntam se é lésbica ou bissexual, porque é um sinal de que está a fazer tudo bem na série, um sinal de que como actriz este não podia ter sido um desafio maior. Sobre as cenas de sexo, descobriu que é muito melhor e mais confortável representá-las com outras mulheres do que com homens: "Elas são melhores a ajudar-nos a esconder partes do nosso corpo que não queremos mostrar."

No seu contrato tem uma cláusula de "não-nudez" o que, segundo ela, não é limitativo de nada. Beals considera, segundo o Guardian, que as suas cenas de sexo são "tão escaldantes" que ninguém repara que ela ainda está vestida. A verdade é que um dos momentos mais hardcore de The L Word (já mais para o fim da primeira temporada) é a consumação da traição de Bette a Tina, onde nem Bette nem "a outra" precisam de se despir ou sequer de se tocar para protagonizarem uma das cenas de sexo mais vibrantes de toda a série.

Joana Amado (PÚBLICO)

 
 

Canal: 2:
The L Word - I
Pilot - Parte I - Nº 1 de 14
Com: Mia Kirshner, Jennifer Beals, Laurel Holloman, Eric Mabius, Katherine Moennig , Erin Daniels, Leisha Hailey , Karina Lombard e Pam Grier.
http://www.sho.com/site/lword/home.do
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