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Filipe Casaca

| | O Terraço | | Arriscamo-nos a dizer que um dos melhores entardeceres de Lisboa passa por aqui. O bar esplanada O Terraço fica junto ao castelo de São Jorge, por cima do casario, e tem uma invejável vista para o Tejo. | É um dos segredos mais bem guardados da capital. Já existe há um Verão, atravessou um Inverno, mas continua a ser mais conhecido entre estrangeiros do que locais. Chama-se O Terraço, fica entre a rota Chiado-Castelo, bem no meio da Lisboa antiga, entre as muralhas do castelo de São Jorge e o rio Tejo. Sob o casario, abençoado pelo Cristo-Rei, com as luzes da Ponte 25 de Abril ao fundo. Uma paisagem tão bonita que até corta a respiração. É assim este bar-esplanada, sem pretensões nem snobismos, apenas aquilo que é.
"Um terraço no cimo de um prédio, no meio de Lisboa, com vista para o rio", é a apresentação feita por um dos proprietários, Mikas. Sem mais delongas.
Pejado de sofás de cores garridas, uns de pele, outros de feltro, alguns de tecidos, vários de verga. Espreguiçadeiras de lona, mesas baixas verde alface, toldos brancos e flores cintilantes. Palhinhas, plantas e "chaise longues". Tudo em exemplar único, "umas coisas compradas, outras oferecidas por amigos, vizinhos, desconhecidos." É assim a decoração pensada e falada por Mikas, conhecido por Lisboa como dono do bar Bicaense.
A ele se juntaram mais três amigos: Tomás, Fátima e Camille, arquitecta francesa a viver em Lisboa. "A ideia inicial era fazer aqui um bar de praia na cidade, pôr areia e tudo." Algo falhou (ou não) pelo meio, mas o resultado final acabou por ser " uma sala de estar a céu aberto no meio da cidade", sem areia, mas "com muitos sofás".
Porque "não há forma melhor do que relaxar deitado num sofá a olhar para o rio", segundo defende Mikas. Então se for ao final da tarde, "a ouvir um quarteto de cordas ou um concerto de piano ao vivo", melhor ainda. Junte-se a isso um pôr-do-sol de sonho e um chá gelado à base de ervas e especiarias exóticas e está feito o remate final.
Que o digam os parzinhos apaixonados que por lá andam. Sítio mais romântico não há. É vê-los enternecidos pelos sofás em carícias longas e beijos ternos. Promessas de amor em guardanapos de papel, entre uma "mangoska" e uma tosta de queijo feta. Sussurros e risinhos abafados em "chaise longues" para dois.
Há quem desfolhe guias de viagem, há quem abra mapas da cidade, há quem se deite depois de um dia longo a palmilhar as sete colinas e adormeça embalado pela música ecléctica que marca a sonoridade deste bar.
"Tanto se pode ouvir música clássica como uns sons mais vanguardistas. Além disso, incentivamos a que as pessoas tragam o seu Ipod e o ponham a tocar", explica Camille.
De dia ou de noite, ao fim-de-semana ou durante os dias de trabalho. "Estamos sempre abertos, só fechamos quando chove."
Quanto à frequência, durante o dia muitos estrangeiros, durante a noite e ao fim-de-semana mais locais, em usufruto da cidade a que aos poucos vão perdendo o pudor de chamar sua.
"Os lisboetas tardam a descobrir Lisboa, mas quando o fazem ficam parvos com a sua beleza", afirma Mikas. "Ainda em Abril passado estava O Terraço cheio quando se começou a ver bandos de aves migratórias a cruzarem o céu. Um espectáculo tão lindo que ficou tudo em silêncio, a olhar."
Sem palavras descrevem-se os melhores momentos. Com um sorriso largo recordam-se os melhores entardeceres. "São sempre únicos neste cantinho aqui no cimo, no meio do casario. São sempre diferentes, são sempre maravilhosos", diz Mikas. E nós acreditamos que sim.
Estacionamento
Esqueça. Se for de noite o melhor é ir de táxi. Se for de dia aproveite para andar de eléctrico antigo. Apanhe o 28, que vem dos Prazeres, pelo Chiado, até à Graça. Saia na paragem junto à Rua da Madalena, siga até ao Largo do Caldas e suba as escadinhas junto ao Mercado do Chão do Loureiro. Uma vez lá em cima é só virar à direita, e "tchan, tchan", lá está O Terraço.
Refeições ligeiras
Como o ex-líbris da casa é a sua localização, a comida não está ali para distrair, mas apenas para complementar. A acompanhar uns sumos naturais tão criativos quanto bons - beterraba com rúcula e baunilha, pêra com framboesa e aipo - há sanduíches e tostas. Mistas, com presunto, com salmão, com queijo feta e tomate ou até com pasta de sardinha. Como sobremesa há pão com Nutella, com framboesa ou mel. Para refrescar em dias quentes há uma lista extensa de chás gelados. Com baunilha e açafrão, com casca de lima e pingo de mel e com gengibre e noz moscada são alguns dos exemplos a provar.
Decoração ambientalista
Se tiver um sofá em casa que já não queira vá até O Terraço e ofereça-o. Vão buscá-lo a casa, não paga nada, consegue ter espaço para um novo e ainda pode matar saudades do antigo sempre que for à esplanada. E convenhamos que um sofá ao ar livre, virado para o rio, fica sempre muito mais bonito.
Catarina Serra Lopes (Público)
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| Lisboa, Calçada do Marquês de Tancos, 3 - Mercado do Chão do Loureiro | | Todos os dias das 12h00 às 00h00 (todos os dias "em que não chova") | | Sanduíches e tostas: 2,50€ a 4,50€; chás gelados: 2€; sumos naturais: 3€; kaipiroskas, morangoskas e afins: 5€. | | http://oterraco.blog.com/ | | Clássica, Jazz, Ao Vivo |  |  |
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