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| | Praça | | O Verão terminou, mas o recém-inaugurado Praça promete fazer o seu espírito viver todo o ano. O ambiente é relaxado, a música descontraída e os cocktails obrigatórios. Não estamos numa praia tropical, mas a filosofia incita a que se deixem as preocupações de lado. | As paredes brancas (quase) imaculadas, a ventoinha (branca), as mesas e as cadeiras de madeira (pintadas de branco), o quadro de lousa com as especialidades a giz de várias cores, o reggae a sair das colunas: para trás ficou a Praça de Filipa de Lencastre, mas, daqui de dentro, diríamos que no exterior ficou uma praia - na Jamaica, nas Bahamas, ou em qualquer outra ilha das Caraíbas.
Estamos no recém-inaugurado Praça (abriu a 18 de Setembro), que tem como imagem um homem com um "shaker". Não é por acaso: as especialidades são os cocktails. Mais do que as especialidades, são o "leit motiv" do Praça. "Vimos uma lacuna e decidimos avançar. Não havia nenhum bar especializado em cocktails na cidade", explica Pedro Maia, um dos proprietários (quase nenhum, pensamos nós). Bar de cocktails com outro requisito - "ambiente descontraído".
Pensamos em cocktails e lembramo-nos de bar de praia ou de bar de hotel. A opção aqui foi clara: cocktails+ambiente descontraído=praia. Um cenário distante do "irmão", o Casa do Livro (propriedade de dois dos sócios do Praça), uns passos acima. Esse é negro, este branco. Ali estamos na sala de estar, aqui estamos, então, na praia, garante-nos Pedro Maia. A beber um daiquiri granizado ou um "manhattan", num espaço que é ele próprio um cocktail de experiências dos vários sócios: muitas férias nas praias alentejanas, surf, festivais de Verão e até uma viagem à Costa Rica com mochila às costas em busca das melhores ondas com encontros com europeus que largaram tudo para encontrar a felicidade em bares que plantaram à beira-mar.
Para quem não quer partir definitivamente (mas também não quer regressar de vez), resta a opção de trazer um pouco desse imaginário para a sua geografia de eleição. O Praça tinha de ser na Baixa do Porto (onde ultimamente parecem ter de ser todos os novos bares do Porto: "é importante haver escolha, o que interessa mesmo é que as pessoas venham para a Baixa", diz quem está seguro de ter um espaço único), ainda que a praia a sério esteja a apenas alguns quilómetros de distância (e a praia-modelo quase noutro hemisfério).
Lá dentro o espaço é todo ele solar. Na fachada, estreita, não há qualquer indicação do nome do café-bar: são duas portas-janelas para lá das quais encontramos paredes brancas (forradas até meio com painéis de madeira) que poderiam lembrar as de um frigorífico, não estivessem maculadas por um grafito, um misto de banda desenhada e fotorrealismo, arco-íris em movimento que combina com o chão, tijoleira rústica, amarelo torrado, "bordeaux", verde, azul, branco. O mobiliário é simples, há cactos em cada mesa, e outras plantas em pequenos vasos espalhadas pelo espaço. Uma máquina de dardos num canto, um Pinóquio articulado pendurado noutro. Tudo é de um despojamento refrescante e parece indicar o caminho para o Sul.
No exterior, é a Baixa do Porto requalificada: o caos de outrora é agora "apenas" tráfego intenso durante o dia e menos intenso a partir do final da tarde. A Praça Filipa de Lencastre, ao lado dos Aliados, continua encravada no meio da cidade, porém respira (um pouco) melhor: as árvores permanecem, mas as camionetas em trânsito para Braga são memórias de outro século e o vaivém de pessoas e mercadorias foi substituído pela languidez das esplanadas de cafés e restaurantes que tomaram de assalto parte da praça - "tem tudo para vir a ser uma zona movimentada, com método", sublinha Pedro Maia. O Praça também tem o seu canto no passeio (que ali é uma espécie de varanda), mesas e bancos baixos, guarda-sóis brancos.
Provavelmente a esplanada não aguentará o Inverno, mas no Praça a ideia é fingir que todos os dias são Verão, em ambiente relaxado e acompanhado de cocktails (ou não - estes são as "estrelas", mas há muito mais, desde café com natas, batidos, sumos naturais a "muffins", queques, crepes), a preços razoáveis e servidos em copos de plástico, para reforçar a informalidade como norma. Não há (nem vai haver) animação especial: a música, descontraída, funciona à base do que os proprietários têm (e gostam de ouvir) - no futuro, talvez haja amigos-DJ, em sessões quase "domésticas", sem qualquer ambição que não seja o puro divertimento. Do género "don"t worry, be happy".
Sex on the beach
Num bar de cocktails, é normal que estes tenham a ribalta. Mas não se espere encontrar nada fora do normal, nenhum cocktail "da casa". Há, por exemplo, os mojitos e a piña colada, a margarita (granizada), o mai tai, o "Sex on the Beach" e o favorito das meninas do "Sex on the City", o cosmopolitan, e, claro, não faltam as caipirinhas e declinações. O granizado é a aposta para a base dos cocktails e para quem não quer álcool há-os sem. Todos os cocktails custam entre quatro e seis euros - há "happy hour" ao domingo entre as 22h00 e as 23h00, mas só para estudantes Erasmus.
Carpaccio e outros petiscos
Presunto ibérico (7€), carpaccio de novilho (8€), chouriço assado (6€), amêijoas à Bulhão Pato, mexilhões ao vapor e pimentos Padrón (4€) são alguns dos petiscos listados na ementa do Praça. A alimentação é uma preocupação e inclui ainda sanduíches e tostas (entre elas a "tosta à Praça" (3,5€), uma tosta mista em pão alentejano).
Andreia Marques Pereira (Setembro 2008)
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| 926810921 | | Porto, Praça de Filipa de Lencastre, 193 | | Terça a domingo das 15h00 às 03h00 | | Fino a 1,20€; cerveja em garrafa 2€; whisky 4€; água 1€; café 1€; batido granizado (café, chocolate e chantilly) a 3€; batidos de fruto 2,80€; sumos naturais 2,5€; sangria (branca e tinta, jarro) 9€; bebidas brancas com sumos naturais 6€; balde (whisky, vodka, rum e gin) 6€; Bailey"s/Safari/Malibu a 4€; crepes: simples 2€, chocolate/compota 3€; salgados 3,50€ (há sugestão do dia); amendoins 1,50€. |  |  |
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